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sábado, 10 de setembro de 2011

Usando a FCC a seu favor ao treinar com exercícios


Caro colega concurseiro,

Atualmente é unânime a importância que se dá, na preparação de alto nível para concursos, à resolução de exercícios e/ou de questões de concursos anteriores.

Para que não digam que estou “vendendo o peixe”, ou coisa parecida, menciono a opinião de dois dos maiores especialistas da atualidade em matéria de preparação para concursos no Brasil.

Alexandre Meirelles pondera que

“Foi cientificamente comprovado que, se logo após o estudo da teoria não houver nenhum tipo de fixação, haverá esquecimento de 70% do que estudou. Mas se fizer, haverá 70% de retenção da informação”[1].

Rogério Neiva, por sua vez, adverte que

“Inegavelmente, os exercícios têm papel fundamental na preparação para o concurso.

Segundo as teorias piagetianas, mais vale um erro compreendido do que um acerto ao qual não se dá muita atenção. Esclarecendo esta compreensão, conforme sustenta a Prof. Evelise Portilho, ‘... a visão construtivista da aprendizagem tem sua origem na tomada de consciência dos fracassos ou dos desequilíbrios entre as representações e a realidade. Este ponto da teoria piagetiana vem contrapor à crença de que não se podiam cometer erros para aprender’.

(...)

Neste sentido, a realização de exercícios pode cumprir alguns papéis relevantes, quais sejam:
- treino para a realização de provas;
- revisão de conceitos e, conforme a lógica do processo cognitivo, contribuição com a fixação da informação por meio do reforço de conexões neurológicas;
- viabiliza o levantamento de deficiências em temas pontuais;
- permite a identificação dos assuntos que são mais cobrados em determinado concurso ou por determinada instituição;
- proporciona o contato com novos conceitos, os quais mesmo inerentes ao programa, eventualmente não foram estudados na primeira fase.”[2]

A grande dificuldade da maioria dos candidatos na preparação específica em Direito do Trabalho é encontrar, quando a banca examinadora do concurso pretendido não é a FCC, questões de concursos anteriores em número suficiente.

Isso porque 90% dos concursos da área trabalhista são organizados pela FCC, ou seja, quem pretende prestar concurso organizado pela ESAF (AFT, por exemplo) ou Cespe (AGU, por exemplo) tem dificuldade em organizar uma lista de exercícios.

É exatamente para estes candidatos que venho propor uma solução.

Quem presta concursos organizados pela FCC reclama, com razão, que a esmagadora maioria das questões exige apenas a literalidade, seja da lei ou dos verbetes de jurisprudência do TST. Chamam a banca inclusive de “copia e cola”.

Ocorre que, como diz o ditado, “tudo na vida tem um lado bom, salvo, é claro, um disco de vinil do Fagner”[3]...   Se a FCC não é tão boa para quem se submete às provas por ela elaboradas, pode ser uma grande aliada dos demais candidatos.

Explico: saber a lei e a jurisprudência é obrigação de todo candidato, independentemente de qual seja a banca do seu concurso. É através deste conhecimento básico acumulado que o candidato passa a ter condições de raciocinar ao “estilo ESAF” ou ao “estilo Cespe”. Ademais, tanto a ESAF quanto o Cespe usam como base para suas questões, naturalmente, a lei e a jurisprudência.

Portanto, bingo!  Você pode, sim, de uma forma geral, utilizar questões anteriores da FCC para treinar, sem medo.  Cuidado apenas com aquelas questões doutrinárias como, por exemplo, fontes do Direito do Trabalho e hipóteses típicas de dispensa por justa causa (art. 482 da CLT). Nestas pode existir diferença de abordagem entre as bancas examinadoras.

Resumindo, minha sugestão é a seguinte:

- faça todas as questões disponíveis da banca do seu concurso;
- complemente seu treino com questões da FCC.

A propósito, estarei lançando em breve, com início previsto para o final de outubro, um Curso de Exercícios de Direito do Trabalho para AFT em aulas escritas. Trata-se de uma parceria com o Estratégia Concursos (www.estrategiaconcursos.com.br), e o curso contemplará a resolução das provas de Direito do Trabalho dos três últimos concursos para AFT, a resolução de todas as últimas provas de Direito do Trabalho da ESAF, bem como a resolução de outras questões de concursos anteriores que podem ser aproveitadas para treinar o “estilo ESAF”.

Abraço e bons estudos!

Ricardo Resende
Twitter: @ricardotrabalho


[1] MEIRELLES, Alexandre. Como estudar para concursos. São Paulo : Método, 2011, p. 166.
[2] NEIVA, Rogerio. Como se preparar para concursos públicos com alto rendimento : prepare-se com estratégia, eficiência e racionalidade. São Paulo : Método, 2010, p. 111/112.
[3] Apenas reproduzo o ditado, e mesmo assim para não perder a piada. Mencione-se, por oportuno, que tenho inclusive um DVD do supramencionado cantor...  :P

4 comentários:

  1. Concordo inteiramente com o artigo. Atualmente é praticamente impossível realizar uma boa preparação pra concursos sem estudar as provas anteriores.

    Na minha campanha para o cargo de analista respondi muitas provas da FCC e do CESPE, diversas vezes cada. Eu imprimia as provas e as respondia utilizando folhas à parte, para não estragar o caderno de questões. Assim, podia retornar de tempos em tempos (curioso é que, em alguns casos, minha nota caía na segunda oportunidade – parece que o conhecimento foge pelo ralo quando tomamos banho, ou algo do tipo). Atualmente faço isso com as provas da magistratura do trabalho (acho bem mais complicado, pois não há linha a ser seguida, considerando que as bancas são diferentes de certame para certame).

    O Prof. Leone Pereira disse em uma de suas ótimas aulas que alguns concurseiros tem receio de responder provas pelo simples medo de errar: "é o mesmo erro cometido por um paciente que não quer realizar exames para não descobrir que está doente". Realmente é um pouco frustrante, depois de muitas horas de estudos, notar que o índice de acertos ainda é baixo. Porém, melhor descobrir e corrigir esses problemas antes da prova, porque depois...

    Eu encaro o estudo para concursos de maneira bem diferente do estudo para aplicação prática (há pontos de contato, obviamente). Isso porque, para os concursos, o estudo deve ser direcionado, basicamente, para que o “x” seja marcado na alternativa que a banca considera correta.

    Por outro lado, entendo que as provas respondidas em casa não podem virar uma obsessão. A maior parte do tempo deve ser dedicada ao aprimoramento do conhecimento.

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  2. É isso aí, Márcio!

    Penso que a "dose" de exercícios varia conforme o concurso. Um da Vunesp, por exemplo, em que é preciso "fechar" a prova, vale até a obsessão... rs... (experiência minha).

    Abraço e bons estudos!

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  3. Infelizmente eu sei como é. O meu primeiro cargo público foi conquistado numa prova da Vunesp. Não "fechei" a prova, mas foi suficiente (tive que esperar um ano e meio pela nomeação).

    De volta aos estudos... domingo tem primeira fase do TRT2...

    Abraço.

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  4. Prof. Ricardo

    Quais são os capitulos do seu livro que devem ser estudados para a prova de AFT tomando como base o edital do último concurso?

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